sábado, 17 de junho de 2017

TEIA SOCIAL

Para o R.A.


Há quem passe a vida feliz, ou passe pela vida com um sorriso. Pelo menos é o que transparece. Diariamente, reiteradamente, repetidamente, a monotonia do sorriso, da alegria, da felicidade. Uma fotografia num restaurante, feliz. Uma fotografia numa rua, feliz. Uma fotografia numa praia, feliz. As redes sociais estão repletas de pessoas felizes, continuamente felizes. Ninguém estranha, ninguém se questiona sobre a repetitiva felicidade desta gente. Mas se por um momento mostrares infelicidade, tristeza, melancolia, toda a gente estranhará. Se em vez da fotografia feliz partilhares um pensamento infeliz, um sentimento melancólico, uma emoção triste, toda a gente estranhará. As pessoas estranham a comunhão da tristeza, convivem mal com a partilha da tristeza, mas aceitam sem questionar a alegria repetitiva, monótona, constante, enfadonha, fastidiosa como se fosse natural, como se fosse verdadeira, como se fosse autêntica. Como se a felicidade não merecesse ser questionada. 

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